terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu devia me dar um tiro

   Vamo lá, Viviane! Como isso tudo começou? Bom eu passei na faculdade, sabia?, sempre foi meu sonho, minha chave pra ir morar em São Paulo, porque eu dizia 'vou pra qualquer lugar que seja fora de casa' e não tinha coragem de dizer só vale USP, porque achava que não tinha capacidade de passar. No fim não me esforçei muito, como sempre, hoje sei: tenho preguiça de viver, sou acomodada, como foi que o Gaga disse hoje mesmo?! Eu não uso minha vontade como trampolim pra conseguir mas como um obstaculo porque conseguir é dificil.
   Tá. Daí mesmo tendo passado na UNESP e UERJ, que eram lugares para os quais eu tinha mais vontade de ir, eu vim pra UNIFESP, sem saber como era, onde era, qual era a estrutura fisíca, não sabia nada, só sabia que não podia mais permanecer em 'minha' casa, nem fazer um ano de cursinho, minha convicção de que um ano de cursinho não me ensinaria o suficiente para passar na USP era muito forte, um ano de estudo não sanariam uma vida de falhas no aprendizado.
   E além do mais quando vieram os outros resultados eu já estava com minha vida um tanto organizada em Santos: matricula feita e uma república confirmada. Eu ia morar na praia, a 4 horas de casa e 2 horas de São Paulo (meu paraíso, ou inferno), parecia que nada estava certo, eu não queria nada disso mas tinha que aceitar o que tinha pois era o maximo que eu havia conseguido, foi quase um 'bem feio pra você, Viviane! agora tá de castigo por ser tão burra e lerda' adicionado a um ar de 'não é nada do que eu queria então se ao menos eu for feliz já vou estar anos luz no lucro'.
   Vim pra Santos e vivi por quase um mês sem analizar tudo o que estava acontecendo, não sei quando começei a achar que tudo aqui estava um lixo, conversei com meus pais e eles, como sempre, com aquele horizonte reduzido disseram 'você quer largar e fazer cursinho?' NÃO! 'você quer mudar de curso?' NÃO tenho coragem de mudar de curso! e mais outras coisas que eu não me lembro agora e eu sempre com aquela sensação de infelicidade e de falta de rumo, de saber o que fazer, de tentar alguma coisa.
   Deixei de lado, mais uma vez, minhas neuras, minha sensação desconfortável, mais uma vez pensei 'que bobagem, daqui a pouco isso passa', nunca passou mas eu sempre deixei passar... e elas sempre voltaram, cada vez mais agravadas, a sensação de fracasso, a convicção de que sou uma fracassada...
   Fui pra São Paulo algumas vezes visitar a Nati, foram dias muito felizes, estavam ali a faculdade, o alojamento, as pessoas, aquele ar... tambem foram dias tristes com as tais ideias quicando em minha cabeça 'estou no lugar errado estando em Santos' 'sou uma fracassada que não passou na USP'...
  
   Hoje ocorreu o ponto critico, pensei muita coisa durante a aula de MAC. 'Eu não gosto dessa cidade, ela não é São Paulo, eu não gosto dessa faculdade sem estrutura, sem uma moradia universitária, sem um RU, sem uma biblioteca que tenha  livros de todos os tipos, eu não gosto desse campus ser tão pequeno e haverem tão poucas pessoas aqui, eu não gosto desse ar de monotonia que paira por aqui, dessa sensação que só há um interesse, só um ponto de vista, eu não gosto da forma como a Psicologia é dada aqui, parece tudo muito tecnico, não sei se é isso que eu quero, acho que eu gosto mais de abstrair, filosofar, talvez não seja psicologia o que eu quero...'
   Por fim encontrei com o Luis, com quem já havia comentado sobre essas minhas insatisfações a algum tempo, falei com ele e com o Zé, eles me disseram coisas parecidas com as que meus pais dizem 'se não for mudar de curso continua aqui' e coisas que já ouvimos de nossos veteranos 'essa carga biológica diminui no terceiro ano, a filosofação vai chegar um dia'. Encontramos o Gaga e eu disse que estava passando por uma crise existencial. Ele se preocupou e acabou sendo um tapa na cara quando eu queria só que alguem passasse a mão na minha cabeça e concordasse comigo.
   Eu repeti tudo o que já havia dito e pensado e provavelmente acrescentei alguma coisa e ele disse que não me convenceria a ficar porque esse não é o papel dele, o que poderia fazer é tirar alguma duvida que eu tivesse, falou bem da UNIFESP, dos professores, das oportunidades que são oferecidas aqui e perguntou o que eu queria.
   Foi quando eu percebi que as coisa não estão nada bem. Eu respondi 'eu quero o melhor' e o que é o melhor? 'o que eu quero' isso não faz sentido!
   É que eu não sei o que eu quero então eu fico numa permanente sensação de angustia procurando conseguir algo que eu não sei o que é e nunca me safisfaço ou fico feliz. Mas ao mesmo tempo eu tenho preguiça de conseguir algo que eu queria porque isso necessita esforço, que eu não dedico a nada. Bom, o Gaga discorreu sobre algumas teorias de Schopenhauer e Nietzche, um dizia que a solução pro meu problema é o suicidio e o outro era usar minha vontade de potência.
   Também disse que eu estou dentro da caverna de Platão, vendo a vida por sombras, que eu tenho medo da vida.
   É, eu tenho medo da vida, ou da mudança melhor dizendo, tenho medo de deixar de ser quem sou, de quem sabe passar para outra forma de ver porque tudo isso exige quebra, transição, coragem de se jogar no vazio e ver o que dá.
  
   Muitas coisas que roubaram meu chão. Questões para as quais preciso encontrar respostas. Uma mudança que precisa acontecer. Eu devia me dar um tiro.
  

2 comentários:

  1. Ih, não penso que o suicídio seja a saída... Você já conseguiu perceber que o problema é o seu medo de mudanças, mas o que você vai fazer com essa informação?
    Continuar a vida com esse mal estar, como se você não soubesse a raiz do problema?
    Ou enfrentar esse medo e mudar? Sei lá, comece com algo pequeno, se bem que algo pequeno você já fez: cortou o cabelo e trocou o óculos. Está na hora de arriscar outra mudança, o que você acha?
    Ah, por que eu tô falando isso? A psicóloga é você!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkk' verdade... mas eu tbm preciso de terapia!
      Sabe, mais que mudar eu mesma, eu quero descobrir o que eu quero. Sabendo o que quero, mudanças que viessem no sentido de alcançar esse querer fariam mais sentido. Minha mudança tem que ser a de começar a buscar o que quero e isso implica em mudar o modo como vivo... ihh vixee! eu ate tinha formulado um pensamento coerente mas ta impossivel reproduzir aqui...

      Excluir