segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Eu estava ali deitado

eu estava ali deitado olhando através da vidraça as roseiras no jardim, fustigadas pelo vento que zunia lá fora e nas venezianas do meu quarto e de repente cessava e tudo ficava tão quieto tão triste e de repente recomeçava e as roseiras frágeis e assustadas irrompiam na vidraça e eu estava ali o tempo todo  olhando estava em minha cama com a minha blusa de lã as mãos enfiadas nos bolsos os braços colados ao corpo as pernas juntas estava de sapatos Mamãe não gostava que eu deitasse de sapatos deixe de preguiça menino! mas dessa vez eu estava deitado de sapatos e ela viu e não falou nada ela sentou-se na beirada da cama e pousou a mão em meu joelho  e falou você não quer mesmo almoçar?
eu falei que não não quer comer nada? eu falei que não nem uma carninha assada daquelas que você gosta? com uma cebolinha de folha lá da horta um limãozinho uma pimentinha? ela sorriu e deu uma palmadinha no meu joelho e eu também sorri mas falei que não não estava com a menor fome nem uma coisinha meu filho? uma coisinha só? eu falei que não e então ela ficou me olhando e então ela saiu do quarto eu estava de sapatos e ela não falou nada ela não falaria nada meus sapatos engraxados bonitos brilhantes
ele não quer comer nada? escutei papai perguntando e mamãe decerto só balançou a cabeça porque não escutei ela responder e agora eles estavam comendo em silêncio os dois sozinhos lá na mesa em silêncio o barulho dos garfos a casa quieta e fria e triste o vento zunindo lá fora e nas venezianas de meu quarto.

- você precisa compreender isso, Carlos
- não posso, Miriam
- não daria certo
- não daria certo?
- nossos temperamentos não combinam
- não é verdade
- assim será melhor para nós dois
não Miriam não é verdade Miriam não é certo Miriam não pode Miriam não pode não pode! ó meu Deus não pode

Papai estava parado à porta pensei que você estava dormindo ele falou eu sorri que vento hem! ele falou e eu olhei para a vidraça e lá estavam as roseiras frágeis e assustadas, fustigadas pelo vento esse mês de junho é terrível ele falou ele estava parado no meio do quarto estava de paletó e gravata de pulôver esfregava as mãos eu vou lá no Jorge você não quer ir também? ele ficou olhando pra mim esperando não papai dar uma volta? não obrigado você vai virar sorvete aí dentro ele brincou e eu ri e ele riu e então ficou sério de novo esfregava as mãos fiquei com pena dele eu sabia que ele queria me dizer alguma coisa sabia quase o que ele queria me dizer mamãe devia ter dito a ele Artur chama o Carlos para dar uma volta e ele dissera isso mas agora era diferente era ele mesmo que queria me dizer alguma coisa e estava atrapalhado ficava atrapalhado quando queria conversar essas coisas com um filho e então esfregava as mãos não era por causa do frio Carlos eu sei o que você está sentindo ele falou Eu sei como é é muito aborrecido mesmo mas há coisas piores sabe? eu olhei para ele e então ele abaixou a cabeça e de novo estava atrapalhado e de novo eu fiquei com pena dele eu sei que você gosta muito dela eu sei eu sei que isso é muito aborrecido mas ele olhou pra mim não se preocupe papai eu falei não precisa se preocupar não é nada eu sei mas você não almoçou eu estava sem fome pois é e então nós dois ficamos calados ele tirou o relógio do bolso e olhou as horas você não quer ir mesmo no Jorge? ele perguntou e eu falei que não então ele saiu do quarto escutei ele abrindo o portão e depois os passos dele na calçada o vento zunia lá fora eu estava olhando para os meus sapatos ela gostava deles assim engraxados bonitos brilhantes você é tão cuidadoso Carlos como gosto de você você não pode calcular o tanto que eu gosto de você se te acontecesse alguma coisa se te acontecesse alguma coisa eu não sei o que eu faria mas não vai acontecer nada bem vai? não não vai não pode se te acontecesse alguma coisa acho que eu morreria eu gosto demais de você demais demais
fechei os olhos e contei até quinhentos e recordei os nomes de todas as capitais do Brasil e da Europa e recordei os nomes das dezenas de rios e dezenas de montanhas e deitei de bruços e deitei do lado direito  deitei do lado esquerdo e deitei de bruços outra vez e pus o travesseiro em cima da cabeça e pus o travesseiro de baixo da cabeça e apertei a cabeça contra a parede e apertei mais ainda a cabeça contra a parede que ela doeu e então virei de costas outra vez e enfiei as mãos nos bolsos colei os braços ao corpo juntei as pernas abri os olhos e estava de novo olhando através da vidraça as roseiras frágeis e assustadas fustigadas pelo vento que zunia lá fora e nas venezianas de meu quarto

LUIZ VILELA

( De no bar. Rio, Bloch, 1968.)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Céu na Terra

Hoje é meu dia de sorte! Logo na hora de pegar o ônibus já apareceu uma moça vendendo passes que me fizeram economizar 2,40, depois no cinema eu já estava preparada pra pagar 13 reais mas aceitaram minha carteirinha e eu não sei direito por que mas eu paguei só 3 reais pra assistir o filme, então eu fui pra rodoviária e encontrei você! olha só! você! caramba! mas nem te olhei direito, me faltou coragem, é que é muito amor apertado dentro do peito, eu tenho medo de te olhar nos olhos e explodir, depois na hora de voltar pra casa já estava conformada que não chegaria a tempo de pegar o ônibus das 9 e meia mas deu tempo e ao chegar em casa recebi a ótima notícia que verei uma amiga que eu gosto muito e não vejo a um tempão, amanhã!
Só faltou falar com você... Talvez se eu tivesse falado, com toda essa sorte que eu estou, você tivesse se apaixonado por mim... Mas a oportunidade é um cavalo selado que passa correndo e você tem que montar assim no susto! e eu não falei com você...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Mas eu só tenho 19 anos!

Tinha uma cara depois de mim na fila do supermercado e eu tava com uma compra enorme e ele tava só com uma garrafa de refri, com cara de quem ta no horário de almoço e que já já vai ter que voltar correndo pra obra mas ele tava tentando passar na minha frente na maior cara de pau, fiquei puta, ah vem vem não meu filho! estou pouco me fudendo se você tá com presa, eu entrei na fila na sua frente agora fica de boa aí, e joguei meu carinho pra não deixar ele passar. A moça chamou próximo! e eu já fui saindo com tudo até meu pai segurar o carinho e dizer pode passar! e o cara foi. Ah! odeio passar minha vez na fila do supermercado! Mas Viviane ele deve ter horário, a gente tá de férias... E você acha que eu tô ligando?! eu só tenho 19 anos eu quero mais é que se foda se ele ta com pressa, eu tava na frente! sabe, se ele pedisse ô moça posso passar na frente? só tô com um refrigerante... eu até deixava na maior educação mas ele só ia passar assim sem nem olhar pra minha cara! aff que desaforo!

enfim foi isso, e eu pensei que eu sou muito nova mesmo pra ter certas consciências e acho que sou daquelas que quando dá pra atrapalhar a vida de alguém eu vou estar lá, firme e forte no meu propósito de fazer esse alguém se dar mal... porque as vezes parece que a humanidade tá aí pra fazer isso comigo sendo eu legal ou não com os outros. mas vai saber... não existem regras.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ocus Pócus??! Aquela magia do Marlim??


Vanguart no Show Na Brasa: http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=IjMcOEr780s&NR=1

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sing - My Chemical Romance


Sing it out
Boy, you've got to see what tomorrow brings
Sing it out
Girl, you've got to be what tomorrow needs
For every time that they want to count you out
Use your voice every single time you open up your mouth

Sing it for the boys

Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

Sing it out, boy they're gonna sell what tomorrow means

Sing it out, girl before they kill what tomorrow brings
You've got to make a choice
If the music drowns you out
And raise your voice
Every single time they try and shut your mouth

Sing it for the boys

Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

Cleaned up, corporation progress

Dying in the process
Children that can talk about it
Living on the webways
People moving sideways
Sell it 'til your last days
Buy yourself the motivation,
Generation nothing!
Nothing but a dead scene
Product of a white dream
I am not the singer that you wanted
But a dancer
I refuse to answer
Talk about the past, sir
Wrote it for the ones who want to get away.

Keep running!


Sing it for the boys

Sing it for the girls
Every time that you lose it sing it for the world
Sing it from the heart
Sing it 'til you're nuts
Sing it out for the ones that'll hate your guts
Sing it for the deaf
Sing it for the blind
Sing about everyone that you left behind
Sing it for the world
Sing it for the world

We've got to see what tomorrow brings

Sing it for the world
Sing it for the world
Girl you got to be what tomorrow needs
Sing it for the world
Sing it for the world