Ele veio falar comigo dia desses. Perguntou assim de supetão com qual fantasia eu ia naquela festa, nem perguntou se eu ia... antes disso ficou fazendo graça pelo chat de que queria muito falar comigo, mandou até uma carinha triste e você sabe o que carinhas tristes significam...
Poisé, mas não foi nada disso não. Ele não foi na festa e nem eu, nem mesmo depois daquele meu convite disfarçado pedindo pra andar com ele na festa já que nenhuma amiga minha ia... tentei né? Legal mesmo foi ele dizendo que achava assistir filme e comer pizza mais interessante, pena que ele não pediu minha companhia... e depois aquele papinho de ir fantasiado de nudista! Eu achei que era uma tentativa de por ideias na minha cabeça, dá pra acreditar?! Se era ele não levou o plano até o final.
Daí, depois de um tempo bem bom sem conseguir chorar, eu chorei. Mas dessa vez foi de muita raiva, foi de cair a ficha que eu já estou me fazendo mal, que já acabou há muito tempo, muito antes de realmente acabar já tinha acabado, é só eu abrir os olhos e lembrar direito dos fatos.
A gente tem que ser sincera, né?
E a sensação que eu tenho é de total falta de respostas porque eu não sei se eu ainda gosto dele já que eu não sei se ele ainda fala do mesmo jeito, tem o mesmo cheio, tá com barba ou tá sem barba, com o cabelo recém cortado ou não, o que tá fazendo da vida, se viajou no feriado, se o pai dele tá bem...
Logo que a gente terminou, essa falta de informação era o que me dava mais desespero, depois eu acostumei porque no início já era assim, eu passei um semestre apaixonada por uma imagem, um cara de uma festa e nada mais, eu já sabia muito bem como inventar histórias sobre ele e, com alguma ajuda das redes sociais, acreditar que o eu imaginava tinha um fundo de verdade.
E olha que engraçado, quando eu tomei consciência de que eu voltei a fazer isso e que não era uma pratica saudável, ele veio falar comigo! Tal qual aconteceu das outras vezes que eu te contei, lembra? Que absurdo, isso só pode ser coisa da minha mente insana...
Então a gente se falou quinta, sexta, eu voltei pra casa meio que "fugindo dele" mas no fim era de mim mesma... Depois, eu que fui falar com ele, tentar fazer graça como dois velhos e grandes amigos fariam, foi uma conversa rápida e jogada fora.
E parando pra pensar agora, acho que se a gente quisesse muito voltar um de nós já teria feito algo... ou não. No fim, o Lucas é mais que nunca um cara que é meu vizinho mas que só conversa comigo por carta.
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